Embora eu não tenha passado diretamente por essa situação, tenho certeza que a maior preocupação das mamães, quando a separação é inevitável, é o bem estar dos pequenos. A separação deixa um impacto profundo nos pequenos, assim como nos pais.

A dinâmica da vida de todos é modificada… Imagino que mães tenham mais trabalho quando não contam mais com a ajuda do marido ali embaixo do mesmo teto. E as crianças de repente tem dois lares e seu tempo fica dividido, sem que tenham maturidade para lidar com isso do jeito que os adultos lidam.

Conversamos com a Paloma Cotes, do blog Mãe de Primeira, que contou para a gente um pouco da sua experiência como mãe da Isa, de 4 anos.

E queremos conhecer a história de vocês também! Não deixem de comentar contando como lidaram com a criação dos pequenos depois da separação.

Que idade a sua filha tinha quando você se separou do pai dela? Como ela lidou com a separação?

Me separei do pai da Isa quando ela tinha apenas oito meses. Nenhuma separação é fácil, e a minha não foi diferente. Acabamos optando pela guarda alternada, ela passava alguns dias da semana comigo, e outros, com o pai. Mas isso também foi ficando difícil e, quando ela foi matriculada na escola, veio morar comigo.

Ela lida muito melhor com a situação do que nós, adultos. Porque ela praticamente só conheceu essa realidade, dos pais separados, em casas separadas.

Como toda criança, ela tem muita curiosidade, pergunta se já fui casada com o pai dela, gosta de ver fotos desta época, pergunta por que nós brigamos (até escrevi sobre isso no blog um dia). Eu sempre falo para ela a verdade, explicando que os adultos, às vezes, brigam e que alguns casamentos não dão certo. Mas eu acho que ela pergunta mais pra poder entender este arranjo de família moderna em que ela vive, já que ela já tem madrasta e padrasto.

Como você sente que estar separada do pai da sua filha influencia na criação dela? Quais são as suas estratégias para favorecer o relacionamento dos dois?

A Isa sabe que tem uma vida com o pai e uma vida com a mãe. Que são realidades diferentes, maneiras diferentes de educar e ver a vida. E ela lida super bem com isso. Temos combinados os dias e finais de semana com cada um, e cumprimos isso, para que ela possa estar com os dois.

Para você, enquanto mãe, de que maneira a sua vida mudou depois da separação, e como você lidou com isso?

Ah, muda muito. Mas, pra mim, foi bom. Me fez amadurecer muito como mãe, nos cuidados com a Isa. Eu hoje tenho uma relação linda com ela, uma relação muito completa, intensa. Acabei optando por um emprego com um horário mais comercial, pra poder levá-la e buscá-la na escola. Também optei por não ter empregada, porque não quero delegar os cuidados com ela, que são muito importantes pra mim. Eu tento ser a melhor mãe pra ela, sendo presente, estando junto. E ela sabe que pode contar comigo sempre. Antes, ela era um bebê e demandava muitos cuidados. Hoje, é uma criança adorável, é minha companheirinha. A gente sai juntas, vai ao cinema, janta fora, bate-papo. É uma delícia. Não troco isso por nada!

Na sua opinião, e de uma maneira geral, quais são as maiores dificuldades, e cuidados no desenvolvimento de crianças de pais separados? E quais são as maiores dificuldades das mães também?

Acho que para as mães, às vezes há uma sobrecarga de responsabilidades. Não é fácil cuidar de uma criança sozinha a semana toda. Envolve muita coisa e, às vezes, a gente fica muito cansada. Mas, honestamente, tenho amigas que têm maridos e se sentem tão cansadas quanto eu, porque não são todos os homens que ajudam.

Nas separações, há muita mágoa, ressentimentos. E a gente precisa ter cabeça fria pra separar o pai do ex-marido. É preciso que o ex-casal tenha respeito pelos papéis de pai e mãe.

A minha maior dificuldade é ficar longe da Isa. Quando ela era bebê, eu chorava muito nos finais de semana em que ela ia pra casa do pai. Hoje, passados alguns anos, eu diria que choro menos, mas não deixei de sofrer. Quando ela passa férias fora, eu fico super saudosa. Mas sei que, pra ela, é importante viver com o pai todos estes momentos. E saber que ela está bem e feliz, me deixa mais tranquila e me conforta.

E aí, gostaram da conversa com a Paloma? Se quiserem saber mais sobre o assunto, esse site tem dicas para lidar com a separação em diferentes idades. E vocês, quais acham que são as maiores dificuldades das mães separadas no desenvolvimento das crianças?