Renata Meirelles
Férias deveriam ser sinônimo de muita aventura para as crianças. E aventura, por sua vez, deveria ser sinônimo de corpos livres que podem explorar as mais diversas formas de estar no mundo.
A época de férias das crianças nas cidades é um grande desafio para as famílias, órgãos públicos e instituições culturais. Como fazer do tempo livre das crianças, em momentos de criação e criatividade? Ou melhor, como deixar que brinquem tão intensamente que no futuro possam curtir as lembranças das férias incríveis que tiveram?
E o que significa brincar intensamente e viver grandes aventuras em espaços urbanos?
Hoje em dia as brincadeiras das crianças estão cada vez mais burocráticas. O que antes era um jogo de bola na rua entre amigos, hoje se tornou aula de futebol. Reunir amigos do bairro para brincar, hoje virou aula de artes ou artesanato. Assim, achar o que fazer com as crianças nas férias muitas vezes significa sair atrás de cursos e atividades planejadas e organizadas por adultos para divertir e instruir a meninada.
Museus, cinemas, circos, teatros, clubes e organizações culturais também se esmeram em criar programas de qualidade para receber esse público infantil que precisa sair de casa e se divertir de forma interessante.
Todas essas atividades são muito positivas e têm seu papel na vida dos nossos filhos. E a aventura? Temos que valorizá-la, pois ela é o alimento das experiências incríveis que ficam na memória das crianças.
Aventura combina com liberdade, com espaço aberto, área livre e natureza disponível a ser explorada. Combina com a possibilidade de a criança ter a sua voz, expressar seus desejos e decidir suas brincadeiras. Combina com mães que valorizam esse aprendizado e permitem que seus filhos brinquem livremente.
Aqui nos esbarramos nesse grande obstáculo à infância urbana: espaço aberto.
Nós, adultos de centros urbanos, somos seres de áreas internas muito mais que externas, passamos o dia saindo de um local fechado para outro, e pouco aproveitamos o ar livre. Somos pior que tatu, vivemos o dia entocados. E como são os adultos, e não as crianças, que planejam as cidades, não haveria de ser diferente: não priorizamos o espaço externo.
Nas férias, o desafio urbano pode se focar na organização de espaços abertos e seguros para brincar, e espaços que valorizem a exploração livre e o aprender pela experiência. Um convite para desentocar as crianças e, assim, quem sabe elas nos ajudem a perceber o valor das aventuras e experiências.
Como você acha que pode abraçar esse desafio com os seus filhos? Conte para nós!
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